LCI e LCA: como funcionam? Entenda antes de investir

Você já ouviu falar em LCI e LCA, mas ficou com a sensação de que esses investimentos parecem mais complicados do que realmente são?

Talvez você já tenha visto uma oferta como “LCI a 90% do CDI” ou “LCA a 95% do CDI” e pensado: afinal, isso é bom? Qual é a diferença entre LCI e LCA? Existe risco? Posso resgatar quando quiser? E o fato de serem isentas de Imposto de Renda realmente faz diferença?

Essas são dúvidas comuns, principalmente para quem está começando a sair da poupança e conhecer outras opções de renda fixa.

A boa notícia é que você não precisa ser especialista para entender esses investimentos.

Neste artigo, vamos explicar LCI e LCA: como funcionam, de onde vem o rendimento, quais são os riscos, como funciona o FGC, o que observar antes de investir e em quais situações esses títulos podem fazer sentido dentro de uma carteira.

Veja o nosso artigo: Investimentos: guia completo para começar a investir.

Pessoa analisando investimentos em LCI e LCA no computador
Entenda como funcionam LCI e LCA, seus rendimentos, prazos, liquidez e proteção do FGC.

O que são LCI e LCA?

LCI significa Letra de Crédito Imobiliário.

LCA significa Letra de Crédito do Agronegócio.

As duas são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras. Na prática, quando você investe em uma LCI ou LCA, está aplicando dinheiro em um título emitido por uma instituição financeira, que utiliza os recursos captados dentro das regras específicas de cada modalidade.

A principal diferença está no segmento relacionado ao crédito que dá suporte à operação:

  • LCI: relacionada ao setor imobiliário.
  • LCA: relacionada ao agronegócio.

Para quem investe, porém, existe uma característica que chama bastante atenção: os rendimentos de LCI e LCA continuam isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a legislação vigente.

Isso não significa que qualquer LCI ou LCA será automaticamente melhor que um CDB.

É preciso comparar o rendimento, o prazo, a liquidez, a instituição emissora e o risco.

Veja o nosso artigo: CDB: como funciona e vale a pena? / Fundos Imobiliários para Iniciantes:

Como funciona uma LCI?

Imagine que você tenha R$ 10 mil disponíveis para investir.

Uma instituição financeira oferece uma LCI com determinada taxa e vencimento. Você aplica os R$ 10 mil e, conforme as condições contratadas, seu dinheiro passa a render até a data de vencimento.

Por exemplo, uma LCI pode oferecer uma remuneração de:

90% do CDI

Nesse caso, o rendimento acompanha o CDI conforme as regras do título.

Também existem LCIs prefixadas, nas quais a taxa é definida no momento da aplicação, e opções atreladas a índices de preços.

O ponto importante é olhar exatamente qual é a rentabilidade contratada e em que condições ela será paga.

Veja o nosso artigo: O Que é CDI?

E como funciona uma LCA?

A lógica é muito parecida.

A diferença está na finalidade relacionada ao título.

A LCA é a Letra de Crédito do Agronegócio, enquanto a LCI está relacionada ao crédito imobiliário.

Para o investidor, os dois produtos podem funcionar de maneira bastante semelhante: você aplica seu dinheiro, recebe uma remuneração definida no momento da contratação e normalmente precisa respeitar um prazo antes de ter acesso ao valor investido.

Por isso, não basta perguntar:

“LCI ou LCA, qual rende mais?”

A pergunta mais útil é:

“Qual opção oferece uma combinação adequada de rentabilidade, prazo, liquidez e risco para o meu objetivo?”

Como funciona o rendimento da LCI e da LCA?

Existem três formas comuns de remuneração que você pode encontrar no mercado.

LCI ou LCA pós-fixada

É comum encontrar títulos que pagam um percentual do CDI.

Exemplo:

LCA: 95% do CDI

Nesse caso, o rendimento acompanha o comportamento do CDI.

É uma alternativa bastante utilizada por quem quer investir em renda fixa sem precisar definir antecipadamente uma taxa nominal fixa para todo o período.

LCI ou LCA prefixada

Aqui, a taxa é conhecida no momento da aplicação.

Imagine uma LCI prefixada oferecendo 12% ao ano.

Se você mantiver o investimento até o vencimento, a taxa contratada permite saber previamente a remuneração bruta prevista, considerando as condições do título.

Isso pode facilitar o planejamento.

Por outro lado, se os juros da economia mudarem depois da aplicação, novas oportunidades podem aparecer com taxas diferentes.

LCI ou LCA atrelada à inflação

Também existem títulos cuja remuneração combina uma taxa fixa com um índice de preços.

Um exemplo hipotético seria:

IPCA + 6% ao ano

Nesse caso, a remuneração acompanha a inflação medida pelo índice mais uma taxa adicional.

Esse tipo de investimento pode ser interessante para objetivos de prazo mais longo, mas é necessário prestar atenção ao vencimento e às condições de resgate.

Veja o nosso artigo: Como escolher um investimento.

LCI e LCA têm Imposto de Renda?

Para pessoas físicas, a remuneração de LCI e LCA é atualmente isenta de Imposto de Renda, conforme a legislação vigente.

Esse é um dos principais atrativos desses investimentos.

Mas existe uma armadilha comum:

não compare apenas o percentual do CDI.

Uma LCI que paga 90% do CDI não deve ser comparada automaticamente com um CDB que paga 90% do CDI.

O CDB sofre tributação de Imposto de Renda sobre os rendimentos, enquanto LCI e LCA possuem o benefício fiscal para pessoa física.

Por isso, é necessário comparar o rendimento líquido.

Um exemplo simples

Imagine duas opções:

  • LCI: 90% do CDI, isenta de IR;
  • CDB: 100% do CDI, sujeito ao IR.

Dependendo do prazo, a diferença de tributação pode fazer com que a LCI apresente um resultado líquido competitivo mesmo oferecendo um percentual menor do CDI.

Por isso, comparar somente “90% contra 100%” pode levar a uma conclusão errada.

Veja o nosso artigo: o-que-e-renda-fixa.

LCI e LCA têm FGC?

Sim.

LCI e LCA estão entre os produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), observadas as regras e os limites da garantia.

Atualmente, o FGC informa cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, com limite global de R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ a cada período de quatro anos, nas condições previstas pelo fundo.

Isso é importante, mas não significa que qualquer investimento de renda fixa tenha FGC.

Por exemplo, produtos como determinados títulos de crédito privado não contam com essa mesma cobertura.

Por isso, sempre confira qual é o produto antes de investir.

Qual é o prazo da LCI e da LCA?

Esse é um dos pontos que merecem atenção.

LCI e LCA não devem ser tratadas como investimentos necessariamente disponíveis para resgate imediato.

As regras de prazo mínimo foram alteradas nos últimos anos. Desde as mudanças implementadas em 2025, LCIs e LCAs sem atualização por índice de preços passaram a ter prazo mínimo de vencimento de seis meses em determinadas condições.

Na prática, isso significa que você precisa verificar as condições específicas da oferta antes de investir.

Não coloque em uma LCI ou LCA um dinheiro que poderá ser necessário para uma emergência amanhã.

O prazo do investimento precisa combinar com o prazo do seu objetivo.

LCI e LCA têm liquidez diária?

Não necessariamente.

Esse é um dos erros mais comuns de quem está começando.

Algumas aplicações podem oferecer condições de liquidez diferentes, enquanto outras exigem que você permaneça investido até o vencimento ou possuem restrições para resgate antecipado.

Por isso, antes de clicar em “investir”, confira:

  • data de vencimento;
  • possibilidade de resgate antecipado;
  • existência de mercado secundário, quando aplicável;
  • prazo de carência;
  • forma de remuneração;
  • condições em caso de saída antecipada.

Se você está formando sua reserva de emergência, liquidez deve ser uma das primeiras características analisadas.

Uma taxa aparentemente atraente não compensa descobrir que o dinheiro não está disponível quando você precisa dele.

Veja o nosso artigo: Reserva de Emergência.

LCI ou LCA: qual é melhor?

Não existe uma resposta única.

LCI e LCA possuem características semelhantes para o investidor, mas podem apresentar taxas, prazos e condições diferentes.

Imagine duas ofertas:

CaracterísticaLCILCA
Rentabilidade90% do CDI95% do CDI
IR para pessoa físicaIsentoIsento
Vencimento9 meses12 meses
FGCSim, dentro das regrasSim, dentro das regras

Nesse exemplo hipotético, a LCA oferece uma taxa maior, mas exige um prazo maior.

Se você precisar do dinheiro antes de 12 meses, a taxa superior talvez não seja o fator mais importante.

É por isso que investimento não deve ser escolhido olhando apenas para um número.

LCI e LCA são boas para a reserva de emergência?

Aqui é preciso ter cuidado.

A reserva de emergência precisa priorizar liquidez e segurança.

Como LCIs e LCAs podem ter prazo e liquidez restritos, elas não são automaticamente a primeira opção para todo dinheiro destinado a emergências.

Imagine que você tenha R$ 20 mil guardados.

Você pode precisar de parte desse dinheiro para:

  • uma emergência médica;
  • conserto do carro;
  • perda temporária de renda;
  • manutenção da casa;
  • despesas familiares inesperadas.

Nesse caso, a possibilidade de acessar o dinheiro rapidamente pode ser mais importante do que conseguir alguns pontos percentuais adicionais de rendimento.

Uma estratégia possível é separar primeiro o dinheiro de emergência em aplicações adequadas à necessidade de liquidez e, depois, avaliar investimentos com prazo definido para outros objetivos.

Veja o nosso artigo: Onde Investir a Reserva de Emergência?

LCI e LCA podem ser interessantes para objetivos de médio prazo?

Podem.

Imagine que você sabe que terá uma despesa daqui a um ano.

Pode ser uma viagem, uma reforma, uma entrada ou outra compra planejada.

Se você não precisa do dinheiro imediatamente, pode avaliar uma LCI ou LCA cujo vencimento esteja alinhado ao momento em que pretende utilizar os recursos.

Nesse cenário, o prazo deixa de ser apenas uma limitação e passa a fazer parte do planejamento.

A ideia é simples:

objetivo → prazo → liquidez necessária → investimento adequado.

Não faça o caminho inverso.

Não escolha primeiro o investimento e depois tente descobrir onde encaixá-lo.

Uma experiência prática

Durante muito tempo, eu acreditava que escolher um investimento era simplesmente procurar a maior taxa disponível.

Quando comecei a olhar com mais atenção para os prazos, percebi que uma taxa maior nem sempre resolvia o problema.

Em algumas situações, o investimento que parecia mais interessante exigia deixar o dinheiro parado por mais tempo. E aquele dinheiro poderia fazer falta antes do vencimento.

Foi aí que ficou mais claro que investir não é apenas buscar rentabilidade.

É organizar o dinheiro de acordo com os objetivos.

Como comparar LCI e LCA antes de investir?

Antes de aplicar, faça uma pequena lista de verificação.

1. Confira a rentabilidade

Veja se o investimento é:

  • percentual do CDI;
  • prefixado;
  • atrelado à inflação;
  • ou baseado em outra referência.

2. Confira o vencimento

Pergunte:

“Eu realmente posso deixar esse dinheiro investido até essa data?”

Se a resposta for não, procure outra alternativa.

3. Verifique a liquidez

Não presuma que você poderá resgatar quando quiser.

Leia as condições da aplicação.

4. Confira o emissor

Veja qual instituição está emitindo o título.

A proteção do FGC não elimina a necessidade de respeitar os limites de cobertura.

5. Considere o FGC

Confira se o produto é elegível à garantia e some seus valores por instituição ou conglomerado para não ultrapassar os limites aplicáveis.

6. Compare com alternativas

Não compare apenas duas LCIs.

Veja também outras alternativas de renda fixa disponíveis para o mesmo objetivo.

O melhor investimento depende do conjunto de características, e não apenas da taxa anunciada.

LCI e LCA: vantagens e desvantagens

Principais vantagens

  • Isenção de IR para pessoa física, conforme a legislação vigente.
  • Renda fixa com regras de remuneração definidas na contratação.
  • Possibilidade de encontrar opções prefixadas, pós-fixadas e indexadas à inflação.
  • Cobertura do FGC, dentro dos limites e condições aplicáveis.
  • Podem ser úteis para objetivos com prazo definido.

Principais desvantagens

  • Podem ter baixa liquidez.
  • Nem sempre permitem resgate imediato.
  • O prazo precisa ser compatível com seu objetivo.
  • Taxas variam entre instituições e emissões.
  • A cobertura do FGC possui limites.
  • Não devem ser escolhidas simplesmente porque são “isentas de IR”.

Erros Comuns

1. Escolher apenas pela maior porcentagem do CDI

Uma taxa maior não significa automaticamente melhor investimento. Prazo, liquidez e risco também precisam entrar na comparação.

2. Confundir isenção de IR com ausência de riscos

A isenção tributária é uma vantagem, mas não elimina os riscos relacionados ao emissor, à liquidez e às condições do investimento.

3. Usar LCI ou LCA como dinheiro de emergência

Se o investimento tiver restrições de resgate, você pode enfrentar dificuldades justamente quando precisar do dinheiro.

4. Ignorar o limite do FGC

Ter FGC não significa que qualquer valor estará integralmente protegido. É necessário observar os limites por CPF/CNPJ e instituição ou conglomerado.

5. Investir sem entender o vencimento

Antes de aplicar, saiba exatamente quando o dinheiro estará disponível e se existe alguma possibilidade de resgate antes dessa data.

Como Colocar Isso em Prática Hoje

Você pode começar sem investir nenhum centavo.

Pegue papel, uma planilha ou o aplicativo que utiliza para organizar suas finanças e faça o seguinte:

1. Liste seus objetivos financeiros.

Exemplo:

  • reserva de emergência;
  • viagem;
  • troca do carro;
  • reforma;
  • aposentadoria.

2. Coloque um prazo para cada objetivo.

Não precisa ser perfeito.

Uma estimativa já ajuda.

3. Separe o dinheiro que precisa estar disponível imediatamente.

Esse valor não deve ser colocado automaticamente em investimentos com baixa liquidez.

4. Para o dinheiro que pode ficar aplicado, compare LCIs e LCAs.

Anote:

  • taxa;
  • vencimento;
  • liquidez;
  • instituição;
  • cobertura do FGC;
  • valor mínimo.

5. Compare o resultado líquido com outras opções de renda fixa.

Só depois tome sua decisão.

Esse pequeno processo pode evitar que você escolha um investimento apenas porque viu uma taxa chamativa no aplicativo do banco.

Veja o nosso artigo: Onde investir com pouco dinheiro.

Perguntas Frequentes

LCI e LCA são seguras?

LCI e LCA são investimentos de renda fixa e podem contar com a cobertura do FGC, respeitando os limites e as condições estabelecidos pelo fundo. Isso não significa que sejam livres de qualquer risco. É importante verificar o emissor, as condições do título, o prazo e o limite de cobertura antes de investir.

LCI e LCA têm Imposto de Renda?

Para pessoas físicas, os rendimentos de LCI e LCA estão atualmente entre aqueles isentos de Imposto de Renda, conforme a legislação vigente. Essa característica pode aumentar a atratividade do investimento em comparação com alternativas tributadas. Ainda assim, a comparação deve considerar rentabilidade líquida, prazo, liquidez e risco.

Posso resgatar uma LCI ou LCA a qualquer momento?

Não necessariamente. A possibilidade de resgate depende das condições do título. Algumas aplicações possuem prazo de vencimento e restrições de liquidez. Por isso, antes de investir, confira se o dinheiro poderá ser acessado quando você precisar. Para objetivos de emergência, essa característica merece atenção especial.

LCI ou LCA é melhor que CDB?

Não existe uma resposta universal. LCI e LCA possuem isenção de IR para pessoa física, enquanto o CDB é tributado sobre os rendimentos. Por outro lado, CDBs podem apresentar diferentes condições de liquidez e rentabilidade. A comparação correta deve considerar o rendimento líquido, o prazo, a liquidez, o emissor e a proteção aplicável.

Posso usar LCI ou LCA para investir por vários anos?

Pode existir essa possibilidade, dependendo das características do título disponível. Entretanto, é importante observar o vencimento e a necessidade de liquidez. Para investimentos de prazo mais longo, também vale comparar outras alternativas de renda fixa e investimentos que possam apresentar características mais adequadas ao objetivo.

Conclusão

Entender LCI e LCA: como funcionam é mais simples quando você deixa de olhar apenas para a taxa de rendimento.

LCI é a Letra de Crédito Imobiliário. LCA é a Letra de Crédito do Agronegócio. Ambas fazem parte da renda fixa e podem oferecer isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, além de contarem com a cobertura do FGC dentro das regras e limites aplicáveis.

Mas existe uma parte ainda mais importante:

o investimento precisa combinar com o objetivo.

Antes de investir, pergunte:

  • Quanto posso investir?
  • Quando vou precisar desse dinheiro?
  • Preciso de liquidez?
  • Qual é a rentabilidade?
  • Quem é o emissor?
  • Existe cobertura do FGC?
  • Como essa opção se compara com outras alternativas?

Não é preciso transformar sua vida financeira de uma hora para outra.

Comece entendendo onde seu dinheiro está, defina seus objetivos e escolha investimentos de forma consciente.

A consistência costuma ser mais importante do que tentar encontrar o investimento perfeito.

Veja o nosso artigo: Como escolher um investimento.

E Você?

Você já investiu em LCI ou LCA ou ainda prefere deixar seu dinheiro em poupança, CDB ou outras opções de renda fixa?

Conte sua experiência nos comentários. Sua dúvida também pode ajudar outro leitor do Seu Bolso Hoje.

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